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Booking sobe comissão para 18% e hotelaria reavalia o que sobra de cada reserva

O reajuste da Booking.com e a redução de comissões da Decolar em destinos selecionados reabrem na hotelaria o debate sobre receita líquida por canal; a REVVOS aponta o que isso sugere a quem opera imóvel de temporada.

Redação REVVOSRedação REVVOS
9 out 2026, 11:264 min de leitura
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Imagem ilustrativa — balcão de recepção de hotel.
Imagem ilustrativa — balcão de recepção de hotel. Foto: Anthony O'Neil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
Em resumo
  • A Booking.com elevou de 16% para 18% a comissão dos hotéis do Programa Preferencial, e a Decolar reduziu comissões em destinos selecionados, segundo o Hotelier News.
  • Na hotelaria, as OTAs respondem por 67,7% das reservas no Rio de Janeiro, 71,1% em São Paulo e 69,3% em Recife, e executivos ouvidos defendem olhar a receita líquida de cada canal, não só o faturamento bruto.
  • Na leitura da REVVOS, quem opera temporada tende a estar mais perto do hotel independente do que da grande rede, e vale medir o resultado líquido por canal antes de qualquer mudança de mix.

A Booking.com elevou de 16% para 18% a comissão paga pelos hotéis que participam do seu Programa Preferencial. A Decolar, por sua vez, seguiu na direção contrária e optou por reduzir comissões em destinos selecionados. O reajuste da Booking.com, segundo o Hotelier News, recolocou no centro do debate da hotelaria brasileira uma pergunta: quanto de cada reserva fica, de fato, com quem opera a hospedagem.

O material trata de hotéis e pousadas. A ponte com o imóvel de temporada, feita no fim desta análise, é leitura da REVVOS. Os números citados aqui descrevem a hotelaria e não o mercado de locação por temporada.

Dois movimentos em sentidos opostos

Segundo o Hotelier News, o reajuste da Booking.com foi questionado por entidades do setor junto ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Pela conta da REVVOS, com a comissão em 18%, a parcela da diária que fica com o hotel cai de 84% para 82% do valor bruto, antes de qualquer outro custo, e o gasto com comissão sobe 12,5% sobre a mesma receita (dois pontos sobre uma base de 16).

A Decolar, de acordo com Marcelo Grether, chefe de Partners e Estratégia de Crescimento do grupo, optou por reduzir comissões em hotéis e pousadas de destinos turísticos selecionados. Novos parceiros, em qualquer parte do país, também não pagam comissão nos seis primeiros meses. O executivo diz que as taxas variam conforme a categoria do empreendimento e que a empresa optou por reduzir as comissões mirando a expansão do portfólio e maior eficiência para os hotéis.

A dúvida que sobra é se outras plataformas vão seguir o caminho da Booking.com. Felipe Gama, CEO da Results Hotelaria, considera precipitado fazer essa projeção. Para ele, a consequência principal do reajuste é outra: estimular uma análise mais criteriosa do que cada reserva entrega à operação.

O peso das plataformas nos grandes mercados

O tamanho da discussão aparece nos dados do Hotel Report, estudo da Omnibees em parceria com o Hotelier News. As OTAs respondem por 67,7% das reservas hoteleiras no Rio de Janeiro, por 71,1% em São Paulo e por 69,3% em Recife.

Embora a hotelaria busque ampliar a venda direta, as plataformas seguem entre as principais portas pelas quais o hóspede chega aos hotéis.

Da receita bruta à receita líquida por canal

A proposta de Gama é trocar a pergunta. Em vez de olhar só o faturamento, olhar de onde veio a reserva, quanto custou captá-la e qual diária líquida sobrou. Ele defende que as OTAs não sejam abandonadas, porque continuam relevantes, mas que a operação evite a dependência excessiva de um único canal. Na leitura dele, operações mais profissionalizadas distribuem a venda entre plataformas, venda direta, contas corporativas, central de reservas e canais mais baratos de captar. Ele defende investir em canais próprios, gestão de receita, tecnologia e uso de dados. "A melhor defesa é diversificar a origem das receitas", resume.

Angela Figueiredo, diretora de Vendas e Marketing do Wyndham São Paulo Ibirapuera Convention Plaza, acrescenta uma diferença de estrutura. No hotel dela, a ligação a uma marca global traz acordos globais, programa de fidelidade, força de marca e rede comercial, recursos que ajudam a reduzir a exposição a um único canal. Os independentes, segundo ela, muitas vezes negociam em posição mais fraca, investir menos em marketing e tecnologia e depender mais das plataformas para aparecer. Para esses, qualquer aumento de comissão pode pressionar a rentabilidade de forma mais direta.

Leitura REVVOSInterpretação da redação a partir dos fatos acima

O anfitrião de temporada tende a se parecer mais com o hotel independente descrito por Angela Figueiredo do que com a grande rede: pouca força de negociação, marca própria pequena e visibilidade que depende das plataformas. Por isso, a pergunta de Gama vale também para quem opera casa ou apartamento. Antes de discutir troca de canal, vale registrar, reserva a reserva, de onde ela veio, quanto foi pago em comissão e taxas e qual diária líquida ficou. Um canal que traz muito volume pode entregar menos resultado do que parece, e um canal pequeno pode ser o mais rentável.

A recomendação não é sair das plataformas, mas reduzir a dependência de forma gradual. Hóspede que volta, indicação e canal próprio, sempre dentro das regras de cada plataforma, são frentes que podem ajudar a melhorar a margem. Como mudanças de comissão estão fora do controle de quem opera, o que está sob controle é conhecer o custo de cada reserva e ajustar preço e mix a partir dele.

Fontes e método
  • Hotelier News — reportagem "Hotéis recalculam o peso das OTAs na distribuição", com entrevistas e dados do Hotel Report (Omnibees em parceria com o Hotelier News) sobre participação das OTAs nas reservas hoteleiras
  • Imagem: Anthony O'Neil / Wikimedia Commons — CC BY-SA 2.0

✓ Fatos conferidos com a fonte original pela checagem da Redação REVVOS. O trecho “Leitura REVVOS” é interpretação da redação.

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